Encostei a voz à
muralha ardida de uma cidade sem nome.
De que me serve
esta lança embotada
Entre aqueles que a sua longa mão apeou?
Ai das palavras
em que sopra o férreo silêncio que a morte ordena,
Ai daqueles em
que o seu frio acontece, pois são últimos.
O grande incómodo
de existir revela-se em pequenas coisas
Como as rosas
encarnadas da Amartis
Ferindo-as de uma
significância inabitável.
As menores palavras, sem rasgo nem espanto
Como o fio de
água do mínimo regato
Recolhem a dor
maior.
Na praia
ultramarina, sob o plúmbeo céu,
Minuciosas mãos
miúdas desmantelam um vago barco.
Sou já todos os
que estarão mortos dentro de cem anos.
Para onde vão os
nomes, por que ninguém chama, quando anoitece?
Nunca houve dia.
A alvenaria do
tempo requer uma gramática escura,
Instrumentos
tácitos, como o tenso arco e a exacta seta
Ou mesmo a
palavra luz, quando faca acesa.
Esta noite,
parada no meio da vida, é uma palanca morta
Um casario ruído
nas palavras,
Pertence à
certeza caduca de que tudo sucede numa ordem.
As gaivotas, mortas no areal, são um despojo
dessa tempestade
Ou as magras
exéquias de uma dor insepulta?
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