quinta-feira, 9 de janeiro de 2014


M.A.R.


Lembro-te árvore
Castanheiro, de ramos abertos com pássaros a arder
De diurno coração em frondoso riste e a voz exacta
Buscavas o espinhoso fruto de um sentido áureo
Para o inelutável absurdo da nossa contingência.
Eras então água acesa, lava corrente
Incêndio em parada no prado.

Outonaste sem doce fruto, Mangueira peregrina
Em chão de sumidos freixos e muros altos
Com as ameias do anoitecido coração
Armadas de palavras sem terra nem arados
Somando aos idos, os dias que não chegaram a vir 
E às sombras jacentes em volta, as crescentes na alma.

De cerrados ramos
Como mãos que desistiram de querer
Norte e aves  
Sei-te hoje perene, Oliveira.




a.rapazote












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